quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Os meninos da rua Paulo - Ferenc Molnár




Pode um "livro pra jovens" já ter 110 anos?!?
Publicado pela primeira vez na Hungria em 1907,é considerado um clássico ,principal título do autor que também fez sucesso como dramaturgo;  e as edições brasileiras passaram pela mão de dois "cobras",o  tradutor,também húngaro de nascença, Paulo Rónai e  Aurélio Buarque de Hollanda - minha edição da Cossa&Naify tem posfácio do Nelson Archer.
Um livro "de outros tempos",outro mundo - honra.lealdade,respeito e não só pelos amigos,o "outro" vive na mesma esfera de conduta.
O pano de fundo é uma disputa por um lugar para jogar,brincar.Um espaço especial,quase mágico,o grund.Os personagens :dois grupos distintos de garotos,usando regras para se manter em quase uma "sociedade paralela", lutando entre si : os meninos da rua Paulo contra os  meninos do Jardim Botânico - e o como essa a disputa acontece,como se comportam,como reagem às provocações, até que se chega à uma "guerra".
Quem é leal?Quem é honesto?Quem cumpre o combinado?Coma fazem isso?Como se superam os vários embates?Esta é a graça do texto,o que prende .Vencidos e vencedores se desdobram quase como espelhos uns dos outros,ações de uns refletindo no comportamento de outros,mudando as perspectivas.
Eu digo que um nome só basta para "caracterizar" o livro:Ernesto Nemecsek(pronuncia-se Nêmetchek,como nota o tradutor),o héroi trágico da história.

Fica um "gosto" igual ao filme A Grande Ilusão do Renoir - memória de sentimentos e atitudes de outros tempos,outro mundo,que já não existe mais.Saudade do que não se viveu.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

E ainda....



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...temos os  contos do Tolstói, chegando nos que se passam em meio mais urbano,apesar da ligação sempre com camponeses.Nesses últimos que li aparecem as trapaças que sofrem,a "esperteza" dos citadinos,a "inocência" que se transforma em revolta - os "bandidos" cruéis e sanguinários que se redimem - muitas vezes seus crimes são originados por alguma deslealdade que sofreram.Um contraste muito "preto e branco",que vai se acinzentando conforme os personagens são atingidos ou pelo que causam aos outros.E sim,o fundo religioso sempre aparece.

Sentindo falta de ler mais sobre o autor,vou procurar pela net e ver o que os textos de apoio dizem - o que estudei na escola não alcançou nenhum dos  russos,infelizmente.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Releitura: O Retrato do rei




Reli o Retrato  do Rei ,da Ana Miranda.
Resgatei um exemplar de sebo,ele está esgotado há tempos,e a minha edição tinha sido expurgada na última mudança,mas senti vontade de ler novamente esta história.É uma narrativa com fundo histórico e passada no Brasil Colônia e é tão raro conseguir ter textos literários sobre este período que achei por bem tê-lo novamente.
A base da história é a Guerra dos Emboabas nas Minas - Capitania de Rio de Janeiro,Minas e São Paulo(era tudo uma coisa só) - no início do séc. XVIII,tendo como pano de fundo o envio do retrato do rei recém coroado,e uma história de amor que não se realiza.
Enquanto o texto fica no embate entre os "reinóis"(portugueses) e os paulistas,pelo controle das minas de ouro,do comércio e de governo ele se mantém interessante.E,mais uma vez,a gente vê a cobiça,corrupção,os jogos de poder,as trapaças,só que neste caso,acabou em guerra civil.
Os personagens são crus,diretos ,sua "realidade" - criada a partir dos registros históricos/correspondências- mostra os interesses escusos,a hipocrisia.Um pouco do cotidiano de uma terra sendo desbravada,"sertão" e o tipo de vida que acontecia.Livres,escravos,mestiços,estrangeiros,todos numa "convivência" nada pacífica.
Até aí tudo bem,mas há um possível casal que em meio à luta  vai se apaixonando,mas sem que os sentimentos sejam expressos.E a guarda do retrato do rei,a "majestade em efígie" vai passando das mãos deles,aos portugueses e  é usada como meio de se terminar a guerra,quando finalmente fica com os paulistas, como modo de representar o "apoio real" - mas não garante a vitória no combate.
E entre as lutas,idas e vindas ,a protagonista de nobre portuguesa entediada,vira mineradora e viajante pelas trilhas,à procura do retrato que desviou .É a parte inverossímil do texto,quanto mais com o fim dela na história e  o do homem que ela descobre amar.É o ponto fraco.
Se tivesse ficado restrita ao combate/luta pelo poder , seria muito melhor,mas isso foi a impressão que ficou pra mim,não sei se esta não seria a parte preferida de outros leitores - mas  é o que estraga muito os livros do gênero,ainda mais estes atuais,nos antigos ,faz parte.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

E continuando....







As leituras vão bem obrigado e acho que ajudam a melhorar minha qualidade de sono.Tenho sonhado( alguns vislumbres) e isso é muito raro eu lembrar,quando acontece eu acho que atingi um nível de sono bom e profundo.Ler é cultura e é saúde,rssss.

Continuo ,no intervalo entre outras leituras,com os contos do Tolstói e as histórias curtas do inglês - gostando  do primeiro -  o tanto de religiosidade que contém,uma religiosidade simples,bonita,nada proselitista ou "de igreja",oficial.Personagens humanos lidando com seu cotidiano , em ambiente rural no interior da antiga Rússia,seus hábitos,conflitos e todo um modo de vida; e "lendo" as segundas ,na boa,sem entraves de compreensão,elas estão servindo para o que eu esperava.


Bem,li além do Pauline ,o Capitane Paul,das obras do Dumas.Folhetinescos e por vezes exagerados,mas  bons de ler - sou habituée do estilo, então..... não sei se agradaria a quem é muito do contemporâneo.


Quanto ao Valter Hugo Mãe,é uma escrita boa,a leitura vai fluindo,ao menos neste Filho de mil homens,meu primeiro livro dele.A história começa com um homem que ao chegar aos 40 anseia por um filho ,daí vem a história deste filho,sua mãe e mais outras pessoas que habitam aldeia e vila próximos da praia,como se encontram e como lidam com a solidão,as vidas truncadas.A moça que anseia por amor mas tem uma experiência muito ruim,o filho que não é aceito por ser "maricas";como vão se ajustando e superando os obstáculos.Não é um livro romântico,apesar de falar de amor - tem muitas passagens bonitas,de sentimento.Foi gostoso acompanhar como vão se juntando os personagens,como vão alcançando sua felicidade,mudando,superando problemas e unindo-se numa família mais ampla do que apenas casais.
E ia tudo muito bem até aparecer uma "galinha gigante"?!?!?Coisa que "pula" do texto,não tem nada a ver com nada e não sei se foi alguma alegoria ou simbolização sei lá do quê,estragou bastante a leitura,quebrou o clima.Tá certo,deixou mais uma personagem órfã e um viúvo para serem acolhidos.Por este lado,passa.
Crisóstomo,Camilo,Isaura,Antonino,Matilde e mais os personagens que foram passando  desde o começo da história,muito bonita,de seres humanos se "aninhando",superando a solidão.Esperançoso,eu diria.

Uma boa leitura,mas não alcança o "ocupar o espaço que o Saramago deixou" como li numa resenha.Cada um é um,não vejo possibilidade de comparação.E os textos do Saramago "pegam" a gente de jeito - haja tempo pra ler tudo o que eu quero e reler estes de que tenho saudade!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Um autor novo para mim:Valter Hugo Mãe

Eu tenho me percebido preguiçosa quanto a gêneros novos e autores desconhecidos.Fico na zona de conforto dos romances históricos,dos noirs historiques e deixo passar a contemporaneidade,digamos assim.Mas como eu espero "melhorar" as leituras escolhi este autor português de tanto ver resenhas(dos Booktubers) elogiando.
Não peguei um livro por ordem cronológica de publicação,escolhi meio a olho(comprei três,comecei a ler um) este o Filho de mil homens .Estou no comecinho e a escrita dele flui bem,veremos mais pra frente,quando terminar eu volto pra dizer o que achei.


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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Oeuvres Complètes - Dumas :Acté




Mais um da "biblioteca" do Kindle - baixei um " as obras completas" faz um tempo,para ter  os que eu não li em papel -  e vai levar mais um montão deste mesmo tempo para que eu leia tudo!
Nesta edição tem os "ciclos":Mosqueteiros,Valois,Médecin de Campagne ;e um sem índice individual das obras chamado Romans - que eu acho que tem apenas os textos mais curtos e não em séries como os outros.
Mas falando especificamente deste título,Acté -  ele se passa na Antiguidade romana,tendo Nero como protagonista e a dita cuja Acté como a "mocinha" da história.é dramalhão daqueles dela "enrubescer,coração disparar e  desmaiar,",fora a paixão à primeira vista(sim,ela não sabe mas o galã é o imperador)misturado com o enredo histórico - decadência do Império,cristianismo se propagando e toda aquela atmosfera que o Dumas cria em seus romances.
A  nota introdutória deste diz que serviu de inspiração para o autor do livro Quo Vadis?(que eu já li,também em francês) e quem conhece o enredo - tem o filme da década de 50,com a Deborah Kerr - vai ver que é a mesma vibe.
Antiquado?Pode ser,mas uma leitura rápida,fluente,gostosa - neste,que pode não ser uma obra-prima,mas onde ele acertou bem a mão quase no texto inteiro(o fim é meio fuénm)diferente do anterior(Les Compagnos de Jehu)  que eu li entre o fim do ano passado e o começo deste ano,que não tem nada de bom.
É,eu gosto de coisas muito diferentes  e vou lendo um pouquinho de tudo.Preciso agora  "atacar" algum autor mais recente - se não for fisgada por outro historique,vamos ver.


PS: não teve jeito,já emendei com o título seguinte,Pauline,fazer o quê?!?Rssssss

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Novos livros velhos

Griffin & Sabine




Agenda De Sabine Nick Bantock Livro




Griffin&Sabine(uma correspondência extraordinária) e A Agenda de Sabine( na qual a extraordinária correspondência continua)



Livros de sebos diferentes,achados na Estante Virtual ,esgotados a tempos( e que estavam numa listinha antiga que eu ainda guardo com alguns títulos de livros para conhecer),bem cuidados, para edições de 25 anos - o preço não foi exatamente barato  porque teve o frete,mas pelo tipo de livro,achei bom.
São livros-objeto,escritos e ilustrados pelo autor(Nick Bantock) e que trazem um história através de correspondência,cartas e cartões postais impressos e com caligrafia própria para cada personagem;as cartas vem dobradas dentro de envelopes,um luxo -toda a diagramação e o trabalho de arte são ótimos, no lançamento este livro  devia ser caro.
Começa com um postal enviado de uma ilha(no Pacífico?) de uma desconhecida para um artista plástico(como o autor) que mora em Londres,contando que ela Sabine,visualiza as criações dele ,Griffin enquanto ele as realiza .O inusitado da situação os  liga quase instantaneamente e esta ligação vai crescendo conforme a correspondência vai acrescentando elementos de atração.Isto vai muito bem até quase o fim do primeiro livro,quando Griffin joga a dúvida:Sabine existe ou foi uma criação da sua mente?

Como? O Quê?

Daí vem o segundo livro e a possibilidade de um encontro pode acontecer,mas ele fica com medo e ao mesmo tempo em que ela vai para Londres e fica na casa dele,ele começa a viajar pelo mundo  - e a correspondência acompanha o que fazem, e vai até que uma data de retorno fica próxima e a gente na expectativa,vão se encontrar ou não?Daí.....
Não vou contar o final que é o "je n'ai sais quoi" da história,só digo que ela fica em suspenso.


 Foi instigante e ao mesmo tempo decepcionante,mas foi uma experiência diferente de leitura.Valeu.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

As cinco pessoas que você encontra no céu




Mais um e-book,leitura de uma sentada só.
Conta a vida de um homem do seu "instante final", o que foi se passando desde a sua infância;as pessoas com quem se relacionou e o que aconteceu de mais marcante nessa vida.
Qual a importância de seus atos?Você foi como?Por quê encontrar exatamente estas cincos pessoas ?
Deu uma "emocionada" quase antes do final da leitura,mas foi rápido.
Diria um texto bonito.....mas ordinário,não tem desenvolvimento de personagens e o que vai sendo contado se encaixa no "objetivo" que é falar que toda vida vale a pena e que nada acontece por acaso.Que todos somos parte de um todo.
De uma forma racional eu aceito isso,mas não sou profundamente espiritualizada para "apreender" emocionalmente e ainda mais de um texto que não é literário tanto quanto ,por exemplo,os contos do Tolstói que leio aos poucos,em paralelo às outras leituras,estes sim mais profundos apesar de curtos.
Mas não tem comparação possível,são dois tipos de leitura completamente diferentes - e eu gosto mais do segundo.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Andrew Solomon - Depressão, o segredo que compartilhamos - TED Legendado




https://www.youtube.com/watch?v=3LlHlC_GwFg


É o autor do Demônio do meio dia,o livro mais citado sobre depressão;ainda não tive saúde para ler ,mas só este vídeo dá uma idéia do trabalho do autor
Faz tempo que eu não falo disso ,pra não ficar repetitiva,depressão,ansiedade e quetais continuam a fazer parte do meu dia-a-dia,continuo tratando e procurando viver da melhor forma possível.Tem dias melhores,outros não e vou um dia de cada vez.
Pra quem se interessar pelo assunto.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

E continuando.....






Acabado o Otto Lara Resende(gostei,pero no mucho - mais interessantes as crônicas em que lembra seu convívio com outros escritores;as do período Collor são datadas e as outras,ficaram aquém do que eu esperava;já tinha lido em jornal e não acrescentaram muito não),continuo com os contos do Tolstói(adorando) e vou pegar outro e-book para continuar no mesmo suporte e me "preparar" para os livros novos que estão chegando.

PS:O Netflix vai bem obrigado,um pouquinho só por semana e sem aquele frisson do ano passado.