domingo, 4 de maio de 2014

Exemplo para as mulheres: Coco Chanel

Entre vários exemplos de mulheres trabalhadoras,inteligentes,independentes,esta se destaca e eu peguei carona no blog Woman Chic para trazer suas frases:







Woman Chic: 10- Frases de Coco Chanel:   Volta e e meia  compartilhamos nas redes sociais.  Coco Chanel , a mulher que revolucionou a moda, ao longo do...











PS: além de ensinar estilo,mostrou como atitude é uma das coisas mais importantes para qualquer mulher!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

o glamour?!








Vida normal não é assim "aquelas coisas" , a gente que trabalha e se sustenta tem bem a noção do que é - ganhar "salário",equacionar os desejos para que "caibam" nele,bancar e manter tudo - a parte "manutenção" significando o por a mão na massa mesmo,vassoura e pano de chão inclusive.

                                                        (tem gente que nunca chegou perto desta "aparelhagem")

Hoje sabendo que o fim do romance do príncipe Harry foi causado pela falta de noção do moço,"cobrando" a passagem da namorada para um passeio - e dela questionar o que seria sua vida  "de princesa" peguei o mote mais para questionar ,pensei na vida destas pessoas que nunca pagaram nada ,não sabem o "quanto custa" - nasceram assim,não tem como "saber" exatamente o que é o dia -a-dia de um pobre mortal ,e também das outras,das pessoas que querem-porque-querem mostrar-se " além e acima"(fugir exatamente desta parte "suja" da existência) :umas já tem o "glamour",não se sabem sem ele,as outras,bem,tentam, prendendo-se a marcas,grifes e "estampas",o que para quem já é "glamourous",não tem a mínima importância!Rssssssss.
Dou risada porque daqui,da nossa Terra Papagalis,com os impostos que nos cobram,"aparecer" tem um custo enorme(será por isso tanta corrupção,pra se manter com a cabeça para fora do "comum"?!?!) ,e sem cultura,sem educação de verdade,num lugar em que metade da população não tem banheiro/saneamento básico continua sendo uma forma de "ser" tão senhorial quanto a da época da colônia!A sinhazinha e a mucama ainda existem!O Fernando Henrique disse  e concordo plenamente,a "vanguarda do atraso" permanece,só cuidar da aparência enquanto a essência se perde ou não existe é um sintoma grave!
Não,não briguem comigo.Também concordo que precisamos de beleza e coisas boas(bons produtos,boas escolas,bons serviços,bons transportes,boas moradias e por aí vai,é o básico),mas gostaria demais que isso pudesse ser acessível ,e não apenas a alguns,muito poucos.Que no lugar de esticar o cabelo a maioria das mulheres pudesse ter consciência de si,de se educar mais e melhor,aprofundar suas conquistas,melhorando o entorno - somos as "educadoras-mor",mães,professoras,etc,de diversas e inúmeras formas.Mais uma das minhas utopias,mas enquanto muitas continuarem a ostentar enquanto são outras que limpam seus banheiros, sem que nenhuma delas tenha  a mínima possibilidade de sair desta "condição" de dependência,a coisa não vai andar pra frente!!!!!Como  "glamour"  no meio da injustiça e da miséria?!?


(Adele,esta trabalha é mãe,tem dias "diva",mas é mais "normal" que a maioria das que não se permite aparecer sem  produção)






P.S.:A Jackie ,nasceu Bouvier,virou Kennedy e depois Onassis.Foi símbolo "do chic".Mas nunca conseguiu ser respeitada , ter uma vida independente.A grana nunca foi dela,primeiro da família e depois dos maridos. Teve" tudo",do bom e do melhor,mas nada conquistado,tudo ganho e mantido só ela sabe a que preço.Tudo bem ,é um exemplo já "antigo" para quem é jovem,mas ainda é um "modelo" seguido sem muitas alterações por muitas e muitas mulheres.
 A vida de ninguém é fácil,mas sem liberdade,deve ser muito pior!

domingo, 27 de abril de 2014

A expansão para fora daqui será a solução ?!?!

Em 1969 eu mal  tinha 5 anos e lembro do deslumbre que foi a chegada  na Lua,a fala do Niel Armstrong transmitida "via satélite".Até a televisão ainda era uma "novidade",as imagens  preto e branco , tudo tinha um quê de sonho......


                                                        (olha a Terra "miudinha",na perspectiva do espaço sideral)

Passado tanto tempo,o problema ambiental gritando,a explosão populacional incontrolável,o "temos tudo" - a que preço só as gerações futuras saberão - e descobrem finalmente um "planeta irmão"(mesmas condições geológicas,possibilidade de água/surgimento de "vida" ,etc)


                                                 (Kepler 186f é o nome dele)




Sim,algum dia a humanidade vai ter que sair daqui(olha o Blade Runner novamente),mas.....






....... espero que até chegarem lá tenham se reformulado enquanto gente,porque pra continuar o que acontece aqui,não vai ser de mais um mundo que precisarão,irão acabar com o universo inteiro!

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Com o que você ocupa sua vida?




                                                     ( você se proibe de alguma coisa?)






Não estou perguntando de "trabalho",profissão.Isto é de todos e para todos e não existe quem não tenha que "trabalhar",pelo menos nós que temos uma vida "normal".
Quero saber se além do ganha pão propriamente dito e das obrigações, vocês tem com o que se distrair e alegrar,esvaziar a mente,ampliar seu mundo,se "ocupar" ,naquele sentido de preencher suas horas sem preocupações,chatices e quetais.
Pergunto isso por que tenho ficado assustada tamanha a hostilidade que sinto quando falo que em casa tenho um" mundo" que me ocupa e me agrada muito mais que estar "fora",o famoso "sair" da maioria das pessoas -  que assim parecem dizer querer sair de si mesmos,da sua vida,procurar no outro e na rua o que não tem em si.
Nunca uso ou usei o fato de trabalhar fora para justificar o não ter feito alguma coisa(como escuto eternamente o" não fiz por causa de " - pais,marido,filhos e por aí),a falta de grana então,pula. Busquei e tive a sorte de estudar e trabalhar com  o que queria e me realizei enquanto dava aula;História e o tempo,as permanências além das transformações materiais,as mentalidades são desde sempre objeto de curiosidade mais que estudo prático,utilitário(nunca darei conta de ler tudo o que quero!).O tricô,mesmo meio abandonadinho por estes tempos sem tempo veio agregar e as feminices-mulherices que ainda não tinha alcançado e tem feito parte de mim agora, também.
Então,mais que tudo, o que quero é ter tempo para me dedicar às minhas coisinhas,com calma e sossego,sem horários principalmente,porque eles me matam.
Isto é tão estranho assim?!?Estes últimos meses até conseguir a aposentadoria tem se arrastado e por mais que as pessoas falem que o tempo "corre",não consigo esperar calmamente!Preciso demais alcançar meu sossego,o depois será o que tiver que ser,não me preocupo,mas o "agora",nesta expectativa e em meio à incompreensão geral e irrestrita tem me cansado demais da conta!!!!!
E a pergunta persiste:sou eu que tive a dádiva de alcançar este meu mundo à parte ou são os "outros" que não tem o que fazer com suas vidas e estranham isto em mim?!?!?!?!




(dia de banho dos pincéis - vaidade também dá um certo trabalho e exige estudo,prática  e dedicação)



sexta-feira, 11 de abril de 2014

Dica de exposição:Superziper visita: Exposição Panos, Sesc Bom Retiro

Amei as fotos que as meninas do Superziper publicaram para mostrar o que viram na exposição - tecidos e tecidos,tecelagem,fios e tudo que tem a ver com este mundo encantado para nós que tecemos e ou costuramos,bordamos,etc.

Panos Sesc Bom Retiro







Superziper visita: Exposição Panos, Sesc Bom Retiro

domingo, 6 de abril de 2014

Por quê juntamos tanta coisa?!?!

Alguém aí pode me explicar?






Não tem mais inflação galopante,a economia ainda está nos trilhos(aparentemente),o poder aquisitivo idem,bem,existe,ao menos  para nós que temos emprego e salário ou alguma renda,nenhuma catástrofe à vista,então por quê fazer estoques....... e de "bobagens"?!?!

Explico:por aqui os produtos alimentícios são por semana e o mínimo possível exatamente para não estragar,os de limpeza,idem,uso racionalmente - o normal é acabar ou quase para depois eu comprar mais.
Roupas e sapatos já aprendi a controlar faz tempo e desapego sempre,mas.....com os cosméticos fiquei pasma!Agora mesmo separei uma sacola de coisas vencidas entre esmaltes,talco(eu,uso talco desde quando?!?) e um hidratante que custou bem carinho e foi pro beleléu,sem uso!!!!!!

Pra que tanta coisa?!?!

Fora uma caixa plástica organizadora destas grandes que está cheia de produtos para cabelo e  outra com maquiagens fechadas que não tive coragem de chegar perto pra não ter uma coisa!

Antes de fazer o financiamento pra comprar este apto sabia que, depois dele, não teria mais tanta liberdade de orçamento,mas ou eu estava realmente enlouquecida ou baixou alguma entidade em mim,porque exagerei!!!!!!Demais de qualquer conta!
Não posso esperar acabar,tenho que repor antes e em quantidade,por quê?!?!Que medo foi esse,que carência esconde?!?!

Só assim pra explicar que mesmo num lugar maior eu não tenho espaço,está tudo cheio!!!
São fios;material e ferramentas para artesanatos que ainda não tenho tempo para fazer;tecidos;minha caixa de cadernos mil e quetais;algumas bolsas que nunca usei e fora sei lá mais o quê!!!!! Preciso tanto?!?

Bom que atentei bem para a coisa!Coloquei pra usar alguns dos que estavam guardados e espero raciocinar e não comprar mais nada de que não precise de  momento e interiorizar que NÃO PRECISO DE  ESTOQUE,de nada.Já tem o suficiente pra muito,muito,muito tempo e eu e minhas vontades  que com certeza não serão sempre as mesmas ,então tenho que esperar que cheguem e pensar antes de satisfazê-las para ver se não são momentâneas  e sem razão e para não "carregar" mais coisas do que o necessário.
Credo!E vocês,alguém aí já se deparou com o mesmo problema?Como se livraram dele?


sexta-feira, 4 de abril de 2014

e a vida comum.....

... de todo dia,que a gente tem que levar,uns dias melhor,outros....socorro!!Mas cada dia "especial",particular
Poder acordar tarde(hoje é dia de paralisação chamada pelo sindicato,eu em passeata?Tô fora!),colocar roupa na máquina(enxague econômico porque o racionamento tá batendo nas nossas portas),tirar o lixo(eca!mas os recicláveis,o que os zeladores fazem com eles?!?!),limpar os pincéis de make(sim,isto é uma tarefa séria,semanal),jogar o restinho da base fora(venceu!),colocar a nova no lugar,dar uma geral (olhada) em tudo e ver que não tem nada de urgência(por quê fazer agora o que eu posso deixar pra lá?)...só a vontade de quietude,silêncio e sossego.
Mas não vão descontar este dia?Você não vai ter que repor?Não sei,o que vai acontecer pertence ao tempo que virá.Me importa o hoje,o dia à dia.A grana para este mês já foi ganha,para os próximos,o que tiver que ser ,será.
Mas não é ruim viver "sem planos"?Não sei.Tudo o que queria fui conseguindo aos poucos,minha ambição é particular,não entra em competições e prazos.
Vivendo numa época de distopia(contrário de utopia),entre a escassez e a violência,a tecnologia desenfreada ,o tecnocratismo dos Mad Max e Blad Runner(filmes dos anos oitenta),a vida massificada,mecanizada dos Matrix(outros filmes) ter a pouca esperança de ainda ser "humana" em meio a isso tudo,me permitir liberdade,originalidade(pretensão?) é o meu "bastante".Comum,sim,mas "eu",profundamente.




sexta-feira, 21 de março de 2014

O que é o mundo real?!?!

Muita gente não gosta da maneira a que me refiro às pessoas da periferia ou à comunidade da escola onde trabalhava por enxergar preconceito,intolerância e quetais nas minhas posições.Eu sempre afirmei que é um tipo "diferente" de população,produzida pelas condições de marginalidade e de "informalidade",muito diferente de nós criados com os valores do pós grande  guerra do século XX.Hoje,ao ler este texto,consegui uma certa explicação e de onde menos esperava,do chefão do PCC!!!!!
É realmente a "banalização do mal"(Hanna Arendt)!


"O BRASIL INTEIRO DEVERIA LER ESTA ENTREVISTA

Entrevista com o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, ao jornal O Globo.

Estamos todos no inferno. Não há solução, pois não conhecemos nem o problema

O GLOBO: Você é do PCC?

- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…

O GLOBO: – Mas… a solução seria…

- Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.

O GLOBO: – Você não têm medo de morrer?

- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora…. Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba… Estamos no centro do Insolúvel, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem.Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

O GLOBO: – O que mudou nas periferias?

- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas”… ha, ha… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.

O GLOBO: – Mas o que devemos fazer?

- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a guerra”. Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete anti-tanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?

O GLOBO: – Mas… não haveria solução?

- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco…na boa… na moral… Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês… não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi cheentrate!” Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.



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Entrevista com o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, ao jornal O Globo.

Estamos todos no inferno. Não há solução, pois não conhecemos nem o problema

O GLOBO: Você é do PCC?

- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…

O GLOBO: – Mas… a solução seria…

- Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.

O GLOBO: – Você não têm medo de morrer?

- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora…. Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba… Estamos no centro do Insolúvel, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem.Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

O GLOBO: – O que mudou nas periferias?

- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas”… ha, ha… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.

O GLOBO: – Mas o que devemos fazer?

- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a guerra”. Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete anti-tanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?

O GLOBO: – Mas… não haveria solução?

- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco…na boa… na moral… Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês… não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi cheentrate!” Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.Promover · 

sábado, 15 de março de 2014

Tão bom!




Dormir até muito tarde,tomar um ótimo café da manhã,ajeitar um pouco as coisas e estar livre!De obrigações,cobranças,chatices auto impostas ou o que seja!
Desde sempre foi o que quis,ser livre - não tinha a dimensão das dificuldades e das complicações(do quanto os outros se espantam com isso),é tudo de mim,comigo e se eu não fizer/bancar não tem quem faça e,detalhe,também não tenho aonde e nem em quem me encostar para usar como desculpa.
Mas assim,mesmo,QUE BOM!
Porque ainda me assusto com quem usa trabalho e situação familiar para não se assumir enquanto gente,não fazer o que quer,o que gosta e mais ainda,não desenvolver seus gostos,fazeres e quereres.Mesmo aqui,com pessoas de "nível melhor" percebo as mesmas desculpas que via nas "donasdecasinha" periféricas que além das dificuldades materiais,usavam o "estado civil" para esconder sua falta de vontade consigo mesmas.Tudo bem,foi o como conseguiram se estabelecer e a vida é dura pra nós todos.Mulheres,então,desde que o mundo é mundo.
Mas ,em plena São Paulo,capital,me deparar com situações assim,pasmei!Estamos no 3º milênio desta era,ano 2014 e encontro mais do mesmo!!!!!É a permanência de uma mentalidade tão antiga quanto o mundo e me assusta não haver realmente uma mudança estrutural,das cabeças!!!!!Como fazer funcionar uma estrutura caduca?!?!Daí falam de "crise" das famílias,só poderia!Com pessoas "forçadas" a formá-las e viver de uma forma "obrigatória",sem quê nem por quê ?!?!
Assim,me orgulho demais das minhas conquistas e sim,acho bom demais poder sem quem eu sou,estar onde estou(ave Rita Lee!) e o que falta,lutar para conseguir!!!!!



domingo, 2 de março de 2014

especial e emocionante

Conheci esta animação através do blog Coisas que gosto e ainda estou com os olhos marejados,assistam ,vale muito à pena













Cordas - Ative as legendas!