domingo, 23 de setembro de 2012

O equilíbrio precário que nós,portadores de transtorno de humor temos e as estratégias para o cotidiano

              É uma fragilidade muito difícil de entender pra quem não vive sob tratamento psi.Além das ansiedades,medos,mudanças súbitas de humor,as reações físicas são horríveis.Tenho que fazer tudo sossegadamente,no meu rítmo e mesmo assim,ufa.Cada coisinha é uma conquista(das mais bobas idas ao mercado,até pegar um ônibus),transpiro como uma cachoeira;cada movimento do humor/alteração da química do cérebro - dopamina,serotonina,adrenalina e as outras inas - me deixam ou um anjinho risonho de candura ou uma fera,no meu caso,bem controlada.A medicação está funcionando!!!!!Nada mais de crises de furor,não adiantam mesmo.Mas,por dentro,ai.Nessa semana,"m. le directeur"(fator nº1 quando se trata de autocontrole da minha parte)cutucou esta onça que vos fala e eu consegui ficar  plácida,sossegada.Respondi,lógico,educada mas cortantemente.Final da quarta,um cansaço que parecia me sufocar,quinta nem tentei ir ao não-trabalho;além de não conseguir exercer minha profissão,tenho que aturar um monte de coisas muito,muito piores que qualquer dificuldade de aprendizagem dos meus antigos alunos.Se bem que,escola agora,principalmente as de Ed.Infantil de São Paulo,não são pra ensinar,são porta de assistência social,deixa quieto.Meus rins estão como dois tijolos de pesados.Imagino o quanto de toxinas estão filtrando!
             Mas não dá pra deixar cair a peteca de vez,então,ocupar-se com coisas não preocupantes,não chatas,não obrigatórias que é a melhor coisa que a mente pode fazer pra escapar das armadilhas da doença.
Primeiro o tricô:
Lembram do gráfico com o coraçãozinho?Já comecei a inventar com ele.Como tenho tido dificuldades também  para contagens - é como criança pequena:1,2,3,7,20,15 - vou e volto,mas insisto.

E como sou papelófila(se é que a palavra existe),enfeitei uns pra quando precisar ter envelopes e papéis bonitinhos e sem gastar um tostão,tudo material de casa:
 O "equipamento" - o furador desapareceu das fotos,cadê?A Ko,a Ke e a Shi estão aí só de bonitas que são(porque adultas não podemos ter bonecas,podemos sim!).



A "obra".Tudo basiquinho,mas foi um tempo de calma.O SOSSEGO,assim grandão bate e eu respiro.Casa,faxina,etc,fica pra quando der.Sim,não me exijo.E,sorte que sou organizada,aparentemente está tudo OK.

E como tenho proteção,anjo da guarda e muita luz apesar de tudo,recebi um presente incrivelmente lindo,fofo e feito por uma artista:

 Olha este bordado no marcador!Fora o capricho na costura,nos detalhes de todas as peças.As toalhinhas,então!


Como não tinha chorado de raiva,chorei de alegria que é muito melhor.Lava a  alma!E é assim,cada dia,um dia.
Bjs a quem passar por aqui!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Dia internacional do crochê

Sou neta de crocheteira,daquelas que só de olhar para uma peça,uma foto,um gráfico,realizava coisas lindas e,detalhe,tinha apenas um olho.Atualmente,fico encantada com peças coloridíssimas,criativas,encantadoras mas,ainda não consigo fazer nada,fico só no tricô.Como hoje recebi o novo post da Lu Kleim,do Calma que estou com pressa,comemorando este dia,não resisti e copiei o poema,que,como ela, dedico a todas as crocheteiras


Poema da crocheteira !

Deus te dá a lã e a agulha

E te diz: Crocheta o melhor que puder, um ponto de cada vez.
Cada ponto é um dia na agulha do tempo.
Depois de 12 carreiras de 30 ou 31 pontos,
Terás 365 pontos,
Em dez anos, cerca de 3650 pontos…
Alguns são pelo direito, outros pelo avesso…
Há pontos que se perdem…
Mas que podemos recuperar…
A lã que o bom Deus nos dá,
Para crochetar nossa existência, é de todas as cores:
Rosa como nossas alegrias, negra como nossos sofrimentos,
Cinza como nossas dúvidas, verde como nossas esperanças,
Vermelha como nossos amores, azul como nossos desejos,
Branca como a fé que temos nele.
Quantos pontos caberão no crochê de tua vida?
Só Deus é quem sabe !!


Esta é uma  das raras peças que restou de tantas que minha avó distribuiu entre filhas e netas - está na casa da minha mãe.O que tenho,está guardado,não tenho coragem de por em uso,não quero que se estrague.
Bjs a quem passar por aqui!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Como acompanhar o movimento do tempo?



 

    A sabedoria antiga,principalmente a oriental,diz que  não se deve  interferir,deixar tudo acontecer sem stress e viver na medida do momento.Mas isso não vem assim,placidamente.Não vivemos isolados,e as diferenças  incomodam.Tento usar meu arsenal de leitura,conhecimentos,pra tentar compreender.

  Numa das mais significativas e que “permanece” apesar do tempo decorrido desde que a fiz,O Processo Civilizador,Norbert Elias mostra o quanto a “civilização” demorou pra atingir a sociedade como um todo.Modos,maneiras,costumes da selvageria necessária à sobrevivência foram substituídos por um modus vivendi mais controlado,com regras de comportamento para se viver em grupo,tanto “em casa” como fora dela.

Bem,isso em uma época muito passada.Na sociedade de massas,o espaço privado passou a prevalecer,onde as solidariedades aparecem,existem os pequenos grupos de convivência que agem de maneira parecida(Richard Sennet,O declínio do homem público); e o espaço “público”,a rua,bem,é onde os problemas surgem com mais evidência.Nenhuma novidade nisso.

  Nesse nosso 3º milênio,passada já uma década,vemos que muito se perdeu – como em tudo,na “passagem das civilizações”.Brinco que é a “queda do Império Romano”(acho que já postei textos sobre isso),sem o Technicolor de Hollywood.Os Estados Unidos “compraram” o mundo depois da Segunda Guerra(ver Tony Judt,livro Pós Guerra,entre outros)e agora,não estão mais dando conta do recado,pra dizer o mínimo.

  Seu way of life globalizou-se,mas não consegue mais manter-se.Energia,alimentos,etc,tudo está por um fio.O “congestionamento” é mundial,não só aqui.Pessoas fecham-se em seus carros,distantes de qualquer contato.Segundo citam,consome-se 30% a mais do que a natureza produz e por mais campanhas ambientalistas,de reciclagem e o que for o que se constata é exatamente o contrário.Por aqui é o oba-oba populista de uma “vida melhor” porque os mais carentes alcançam consumo,como se isso resolvesse a questão existencial deles como seres humanos.

  Dizem que se a “economia” não estiver ativa,nada funciona.Mas o que faz o mundo girar é o sistema financeiro,virtual.Onde o movimento dos “valores” vai conforme o de$ejo dos financistas.As famosas “forças ocultas” que dominam tudo.

E os comportamentos?!?!?Como suportar o “outro”?

Digo que é o choque cultural (como os romanos falando dos “bárbaros”) com toda a vulgaridade,a falta de respeito,de conhecimentos.

A Aline,do Em conexão,escreveu sobre a música ruim e o ser apolítico.Eu digo inculto,não de erudição,mas dos modos básicos de convivência,de ser;de elementos básicos de aprendizagem.Um ignorância de savoir vivre.Gente que tem muita coisa material,é até bonita,produzida,mas não se envolve verdadeiramente com nada.É cada um por si até dentro da própria casa,quanto mais no mundo.

  Política,assim,letra maiúscula,pensar o comum,o de todos,não tem nem idéia.Vivendo na periferia de São Paulo,trabalhando em escola pública há quase 28 anos vi de perto a transformação do “povo” numa coisa ainda incerta,que “não tem condições” – é a frase mais repetida,porque virou mote de sua maneira de agir,que agride,avança em cima.Grita achando que tem direito a um tudo que não sabe do que se trata.Respeito?!?Deveres?!?Nenhum.Pra quê.Recebem sem esforço tudo que as gerações anteriores vindas da mesma carência lutaram e conquistaram com esforço.Eu estou aqui de prova,e a história da minha família,meus avós,comprovam,entre milhares de outras.

   Com que elementos alguém que não lê,não escreve,não percebe vai “compreender” o que acontece.Como vai criticar?A reprodução de coisas ruins,vazias,vulgares,música chula,uma incultura de massas garante que fiquem “bem”,entupidos de cerveja e churrasco,bem penteados e vestidos,consumindo-se,devorando-se.Como no filme,alimentam a Matrix e dançam,sem saber que não servem pra nada além disso.

  Sim,quando a História se repete é como farsa.Não temos como adivinhar no que vai dar tanta tecnologia e uma imensidão de pessoas desumanizadas.Eu,me sinto completamente deslocada.Um ET que lê,quieta,não tenho gostos “populares”,não vivo na pechincha.Gosto de me dar qualidade,não grifes,não moda.Me esforcei pra alcançar isso.Quero me aprimorar,ampliar a “pessoa”.Sim,dificuldades existenciais.Não faço parte dessa atualidade,não gosto dela.É um tempo fora de mim,estou numa dimensão paralela,em outro compasso.
   Bem,se alguém passar por aqui,bjs!E diga o que acha,se discorda,se tem outros argumentos.O que se passa com você em relação ao "mundo"? 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

E,sim,aqui também tem flores

Na receita impressa há tempos tem a indicação do site http://purpleduckie.com/,  mas sei que vi esta flor em outros blogs - minha receita está em "google translation".Fácil de fazer,ficou com mais ou menos 25 cm,agulhas 4,5 e fio Mollet - o novelo já estava aberto e adoro esta cor 500 - não acho mais foi o último que encontrei.





 Ooops,aqui não foi flor,foi treino de paciência no ponto arroz (acho uma graça,mas não gosto de fazer) e as cordas separadas,fácil e com efeito pra variar meus quadrados - em julho fiz toneladas de quadrados perfeitos,enjoei um pouco.

E há cada fim de novelo,treino as emendas pra ver se ficam invisíveis ou menos notáveis.
Bjs a todos que passarem por aqui!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Um pouco de alegria no céu





Ele se foi na quinta,como sexta me dei o dia,só soube hoje.O diretor da minha escola me fez sentar pra contar que "nosso" Carlos tinha ido.Uma criança muito especial,não só por sua síndrome de Bardet -Bidel,mas por nos alegrar diariamente.Ele era da escola e não apenas de sua professora.Corria e não parava,tudo o interessava.Agarrava minha aluna Isadora e quase a sufocava,assustando-a,mas pra mostrar o quanto gostava dela.Mal falava,mas conseguia se comunicar muito bem.Nos beijava,mostrava com o dedo ,dizendo quando queria ficar com uma de nós.Tirava os tênis e dava fim e depois fazíamos a caça a eles,metade furiosos,metade rindo,porque ele corria,corria,apesar do seu tamanhão.Aprendeu o sinal de positivo com o dedo e era uma alegria quando o usava.Estudamos muito para compreender seu mundo,seu jeito de ser e era uma riqueza de possibilidades.Vimos seu crescimento diário,mesmo que diferente  dos "normais".Ficou aqui na EMEI dos 4 aos seis,agora tinha 9.Foi seu tempo neste mundo medonho.Estou chorando por nós que o perdemos,ele deve estar fazendo correria com os outros anjinhos no céu.